A nossa série de entrevistas exclusivas continua com Sérgio Dias, vogal da Direção da SPOT Nordic. Com um percurso que alia engenharia biomédica, consultoria estratégica e transformação digital, o Sérgio vive em Copenhaga desde 2014 e trabalha com empresas multinacionais para impulsionar a sua digitalização.
Para além da sua carreira, partilha uma grande curiosidade intelectual e aprecia a cultura dinamarquesa, sem nunca perder a ligação a Portugal. Nesta entrevista, fala sobre os desafios da inovação, a importância da colaboração entre Portugal e os países nórdicos e a sua visão para a SPOT Nordic. 🚀🌍

▶️ Quem és? Cresci na transição do século em Moimenta da Beira, uma vila portuguesa onde as fachadas das casas são em granito e as quatro estações se sentem na pele. Esse foi o meu primeiro contacto com o mundo, mas a verdadeira exploração começou com momentos marcantes da infância: a chegada da TV Cabo via satélite, a primeira Diciopédia e a revolução da internet ilimitada. Cada um desses elementos abriu portas para uma curiosidade insaciável sobre o que existia para lá do que me rodeava. 📡💡
Essa sede de conhecimento levou-me ao vasto campo da engenharia biomédica, que explorei no Departamento de Física da Universidade de Coimbra, e, mais tarde, à consultoria estratégica, sempre em contextos multinacionais. Aqui, aprendi que a implementação de tecnologia ou a definição de uma estratégia de digitalização só fazem sentido quando ancoradas numa narrativa convincente. Estes momentos tornaram-se estruturantes no meu percurso. A fome de descoberta acalmou, mas a curiosidade mantém-se inalterada nos genes. 🎓🔬
Nos dias de hoje, gosto de desfrutar dos prazeres de Copenhaga, cidade que me acolheu em 2014. Desde então, tento absorver tudo o que ela tem para oferecer: corridas à volta dos lagos, visitas regulares ao Louisiana Museum of Modern Art ou momentos de contemplação nos seus cafés minimalistas, onde um simples café – apesar de excelente – custa o equivalente a uma semana de expressos em Portugal. Sempre acompanhado por leituras sobre atualidade económica, tento encontrar equilíbrio com a minha carreira, que continua a ser central. O desafio de traduzir estratégias abrangentes em planos de execução concretos, liderar equipas e ajudar organizações a aproximarem-se do seu propósito dá-me uma grande satisfação intelectual. 📚☕
No futuro, quero continuar a crescer profissionalmente, aprofundando o impacto que posso ter na transformação digital e estratégica de empresas, enquanto mantenho viva a minha curiosidade por tantas outras áreas. 🚀🌍
▶️ O que fazes? Lidero projetos de consultoria para empresas multinacionais, principalmente na indústria farmacêutica, ajudando-as a utilizar tecnologia e digitalização para melhorar as suas operações e alinhá-las com os seus objetivos estratégicos. Os projetos, que normalmente duram entre 1 a 3 meses, começam muitas vezes com uma ideia geral – seja numa conversa inicial ou numa página de PowerPoint – sobre como a tecnologia pode criar valor para a empresa. 🏢📊
O meu papel é transformar essa ideia num plano de execução concreto. Para tal, lidero equipas na análise do problema no contexto da estratégia global da empresa, definição de cenários e soluções possíveis, e construção de um plano detalhado que explica o que fazer, como fazê-lo e quais os resultados esperados. Além disso, acompanho frequentemente a implementação, garantindo que as mudanças trazem impacto real. 🎯💡
Nos últimos tempos, tenho-me focado na governação responsável de inteligência artificial (Responsible AI Governance), bem como na criação de portefólios estratégicos de digitalização e dados. O objetivo é ajudar as empresas a adotar abordagens digitais de forma estruturada, sustentável e com resultados tangíveis. 🤖📈
▶️ Como é um dia normal? O meu dia começa sempre com um café com leite de aveia, acompanhado da leitura do jornal enquanto ouço um podcast de notícias do dia. Depois, sigo para o meu escritório – que, por coincidência, fica no bairro onde vivo, Carlsberg Byen – ou diretamente para o escritório de clientes. Os dias de trabalho são pautados por uma mistura de reuniões presenciais e remotas, intercaladas com blocos de tempo para pesquisa, leitura e criação de conteúdos escritos relacionados com os projetos em curso. ☕📰
Normalmente, termino o dia a tempo de uma sessão de ginásio, yoga ou corrida, um momento essencial para desconectar, refletir sobre ideias e decisões e, claro, manter a forma. Depois do jantar, muitas vezes aproveito para preparar ou adiantar trabalho, ao som de um podcast de política, economia ou futebol – entrevistas e análises táticas são dos meus géneros preferidos. ⚽📖
Os meus dias acabam por ser longos e exigem muita disciplina na gestão do tempo, mas esta rotina permite-me equilibrar foco profissional, bem-estar físico e curiosidade intelectual. ⏳🏃
▶️ Quais os aspetos que mais valorizas ao viver na tua cidade e país? O conforto e o ritmo de Copenhaga são aspetos que aprecio. Na prática, tudo funciona, o ambiente é calmo e silencioso. Esteticamente, Copenhaga é uma cidade muito apelativa, fruto de um planeamento contínuo e bem pensado. 🏙️✨
Naturalmente, não posso deixar de referir as oportunidades de carreira e desenvolvimento pessoal que esta cidade e este país me têm proporcionado e que tenho ajudado a moldar. Exemplos disso são os projetos e empresas nos quais tenho trabalhado nos últimos 10 anos, únicos num panorama não apenas europeu, mas mundial. Não creio que haja muitos países onde isto tivesse sido possível. 🚀🌍
Além disso, valorizo também a parte mais mundana da vida, como cafés e restaurantes agradáveis, bem como a oferta cultural da cidade, desde galerias de arte a museus cuidadosamente curados, que frequentemente apresentam artistas de renome. São aspetos que valorizo e dos quais desfruto. 🎭🍽️
▶️ O que valorizas mais em Portugal enquanto emigrante? O almoço de domingo em família. Uma memória cristalizada pelo tempo. Simples. 🍽️❤️
▶️ Na tua opinião, quais as áreas prioritárias de colaboração entre Portugal e os países nórdicos? Portugal pode aprender muito com a Dinamarca, especialmente no papel central que a Investigação e Desenvolvimento (I&D) desempenham em setores estratégicos como as ciências da vida e a engenharia. Estes evoluíram para ecossistemas altamente geradores de valor, algo que Portugal poderia explorar. 🔬💡
Outro exemplo inspirador é a forma como as organizações dinamarquesas valorizam e investem continuamente no desenvolvimento do seu talento – desde o dono da empresa familiar ao operário mais técnico. Este compromisso com a qualificação e formação contínua contribui significativamente para a competitividade e resiliência das empresas. 📈👥
▶️ Porque decidiste fazer parte da SPOT Nordic? A minha principal motivação assenta na convicção de que podemos gerar um impacto mais significativo e duradouro ao intervir no meio em que estamos inseridos. A SPOT Nordic despertou o meu interesse pelo seu propósito e potencial, sobretudo pela oportunidade de explorar as ligações entre ciência e indústria. 🔗🌍
Além disso, senti que era o momento certo para me reaproximar da comunidade portuguesa, contribuindo com a minha visão, experiência e conhecimento sobre os panoramas institucional e político de Portugal e da Dinamarca. 🤝🇩🇰
▶️ Como podes contribuir para a equipa da SPOT Nordic? Desde que me juntei à SPOT Nordic, tenho sido responsável pela pasta financeira da associação, assegurando que mantemos uma situação financeira estável e capaz de potenciar a execução dos nossos planos de atividades. 📊💰
É com grande satisfação que acompanho a evolução da nossa capacidade orçamental ao longo do tempo, permitindo-nos concretizar iniciativas impactantes, como a atribuição de bolsas ou a realização de eventos temáticos com grande adesão. Assim, cumprimos o propósito estratégico da associação, criando valor para a comunidade. 🎓🎉
Naturalmente, estes resultados e impacto são fruto da visão e competência da liderança, bem como da dedicação e capacidade do corpo diretivo. Apesar de sermos todos voluntários, estamos sempre presentes nos momentos críticos, garantindo que a associação continua a crescer e a cumprir a sua missão. 🤝🚀
▶️ Quais os projetos que mais te interessam na associação? Da Ciência à Indústria 🔬🏢, Eventos Anuais 📅🎤, Outros a pensar 💡🤔

▶️ Uma mensagem final? Maria Teresa Horta escreveu um livro com um título profundamente simbólico: "Minha Senhora de Mim". Para além da ideia de identidade e autodeterminação, mobilizou a sua rede intelectual para amplificar essa mensagem e transformá-la em ação social e política. 📖✨
Considerando o seu recente falecimento, parece-me relevante recordar não apenas a sua obra, mas também a sua coragem e visão estratégica – um legado que continua a inspirar. 🎭📚